terça-feira, 2 de agosto de 2011

CINUSP "Paulo Emílio"

borboleta psicodélica

cada quadro representa também pensamento
cada fato histórico é também um movimento
cada produção artística é também política
cada coisa dita dita uma nova tática

centopéia autoritária

para cada qualquer coisa tem também uma crítica
para cada cara cresce uma nova estética
porque sempre o senso está muito sedento
porque sempre o senso está muito sedento

elefante que pula-pula

se seu raciocínio está mais para o exdrúxulo
se seu olho está xulo ou muito cínico
se achas que está mais pro símio que pro sapiens
se pensas que isto é loucura ou um delírio

hieninha mentecapta

venha conhecer cinema sem nenhum espetáculo
venha ver não tema não fique estérico
venha ver não paga nada nada é grátis
venha ver pra ver se entende o rap


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rodopio

cada qual está no seu canto
cada um deles está com seu pranto
procurando algo que berre e grite e mostre a proa
posto que justo que será o encanto

muitas portas que não se abrem
muitas cores não se descobrem
aprendemos algo que mande berre e frite: doa!
mas não vemos como se elas encobrem

tontos tantos cavam e cavam
tantos peixes abissais desovam
escondido tudo que fale e cante e brilhe a loa
sem saber bem aonde cantavam

tua vida está por um fio
não encaras o desafio
de tomar as rédeas de tua própria pessoa
para viveres sempre em rodopio

alguma pecinha está ali parada
levando-nos, então, da alma ao nada
fazer brilhar aquilo que em tua alma ecoa
fazer brilhar aquela coisa calada

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espantalho

de uma brincadeira de ensaio,
toco, canto, não me atrapalho,
só faço o que der na telha,
espero mais um soco na orelha.

jogando música
fazendo bola
desaprendendo
o que se faz na escola

(não me amola!)

de uma jogatina de truco,
fazendo é maço no baralho,
e agradeço à santa manilha,
e está formada a nossa quadrilha

cambiar é todo o segredo,
tampouco se encontra algum atalho,
bastas que mastigues o medo,
junto com concreto e cascalho.

montando sílaba
na tua cola
se preparando
para entrar de sola

(sim, senhora!)

não venha com esse papo aranha
onde destilas tua artimanha,
tu não me farás de paspalho,
porque corvo gosta é de espantalho.

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a flecha

assoviou nos ares seta certeiro no corpo
meu corpo

fora aquele teu querubim
com olhos teus seguindo-me assim
encantando-me no vento que eu sou
sei quando o amor entorpece o meu coração
justo por isso serei dono da minha razão

flecha comprida, curta, ou para tiro ao alvo
meu alvo

desta vez tu o serás, enfim
devolverei a flecha que cravaste em mim
e voltaremos ermos ao fogo, querida
água limpa, na tua mágoa, no teu ser
transbordando de flores este teu viver

você deve estar me achando apologético
patético

talvez até mesmo fugaz
mas quando vieres buscar o teu tesouro
verás que joguei por terra todo o ouro
e te tornarás minhas pelos séculos vindouros
ficarás a sonhar sempre querendo mais

se não te vejo
até a neve se torna desejo
estar contigo
querendo ser mais que um amigo
se não te digo
é a esmola que faz o mendigo
estando errante
entre palavras de alguma estante
e vou distante
ah, sim, sei que vou errante
vou elegante
alegrar algum lugar distante

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figura

guardo de ti apenas uma pequena figura
como afrescos de paredes em ruínas
não quero padecer apenas na amargura
que o meu coração explode e chacina

naqueles tempos a vida era tão breve
não havia hora de saborear a minha vida
desejava que o passar dos tempos nos leve
para dias quando a paixão foi proibida

naquelas horas célebres eu estava atento
aos outroras átomos das poesias de dores
havia alguma esperança de catavento
que prodizisse deliciosos algodões doces

rosa
é a tua cor
é o teu sabor
mas não se prova
pois és de açúcar

azul
é o teu dia
é a tua alegria
mas não se sente
pois és uma somente

branca
é a tua dança
é a tua esperança
de algo melhor
que não chegara a ser pior
de tão doce

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excomungado

criei bilhões de versos
sendo rondado por tua loucura
aquela tua promessa
aquela minha cura
para resolver as falhas da vida
nalguma rima fácil
nalguma harmonia fútil
mas por que porras não me ouves?

foste uma harmonia
arvorando milhões de notas
aquela sabedoria
aquela paixão remota
preencheria o vazio da vida
nalguma mentira ébria
nalgum sentimento sóbrio
mas por que porras não me vês?

a canção se expressa
menos com a voz que com o coração
aquela luminescência
aquele lindo clarão
para ninar o cansaço da vida
nalgum ato heróico
nalgum gesto estóico
mas por que porras me espancas?

na ponta do meu grafite
andei de risco em risco
naquele traço sutil
naquele terno rabisco
para pintar esperanças na vida
nalgum segredo visto
nalgum cinza arisco
mas por que porras não te represento?

como eu queria
mátria minha idolatrada
que por um instante fosses minha
apenas minha camarada

como eu queria
pátria minha idolatrada
que por um instante fosses minha
apenas minha namorada

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platônica (dois)

quantos espaços venci,
para vê-la no momento certo.
quantos relogios parei,
para vê-la num tempo cedo.
quantas estrelas luzi,
para vê-la num lamento cego.
eu, um morcego nas trevas,
sonhando com sua luz angelical,
um voo sobre a relva,
que deixava seu perfume natural.
quantos lamentos chorei,
para ver-me num espaço negro
quanto das trevas clamei,
para ver-me, momento de medo.
quantos contratempos errei,
para vê-la, estrela, de perto.

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platônica

e se estava sozinha,
como poderia saber?
e se estava bonita,
como poderia saber?
e se estava contente,
como poderia saber?
tentei ver, minha moscovita,
na linha rente, no horizonte dita,
amo você
amo você
amo você

e se estava distante,
como poderia dizer?
e se estava vermelha,
como poderia dizer?
e se estava zangada,
como poderia dizer?
zanguei ser, minha, um instante,
na diante vaga, no coração, centelha
amo você
amo você
amo você

e se estava honesta,
como podeira morrer?
e se estava sabendo,
como poderia morrer?
e se estava tranquila,
como poderia morrer?
tranquei rei e rainha, na sua festa,
qual esta filha, na vocação morrendo
amo você
amo você
amo você

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ilusão

parece uma mágica espécie
parte da tragédia humana
e não se encontra tão fácil
o que não é ignóbil nem cósmico

e sempre o devir, a mensagem
e como algo efêmero na carne
aonde algo finito encontra
o faminto do homem, sua busca

força, fogo queima, arde, pó
que tudo não arde, laço, nó
também quem não lê, também vê

de si não consome só o dó
entretando o caso não prevê
encontra a tática do nó

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fragmentos de um convite a João Bosco

nossa empresa só tem aluno,
no evento isso será maioria.
não é lucro nossa alegria.
mas o evento mesmo,
todo trabalho, todo o esmo,
todo cansaço, todo aprensizado,
do evento realizado.

(...)

João latino, João do mar primeiro
vem trazendo só o mar mediterrâneo
vem trazendo no pinho o fogo inteiro
vem com timbre divino ou subterrâneo
vem golaço com seu passe ligeiro
vem maneiro, sem pressa e instantâneo
vem rasteiro soando todo o sublime
cavaquinho! tô de frente pro crime!

(...)

o acontecimento será à noite
e durante hora e meia
na segunda ou terceira,
na última ou primeira
semana de março
do ano que veio
junto com todo o contento
e esperamos com anseio


esses são os fragmentos
que sobraram de um convite da eca jr.
para um evento chamado café acadêmico
convidando o João Bosco,
com alguma sorte, ele aceitou o convite

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